[Resenha] A Garota Que Eu Quero - Markus Zusak

Nome: A Garota Que Eu Quero
Autora: Markus Zusak
Editora: Intrínseca | Gênero: Romance
Páginas: 172  |Classificação: 5/5
Preços: Saraiva | Submarino | Amazon


Cameron Wolfe é o caçula de três irmãos, e o mais quieto da família. Não é nada parecido com Steve, o irmão mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e que a cada semana está com uma garota nova. Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem, e gosta especialmente da mais recente namorada de Rube, Octavia, com suas ideias brilhantes e olhos verde-mar. Cameron e Rube sempre foram leais um com o outro, mas isso é colocado à prova quando Cam se apaixona por Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele?
Octavia, porém, sabe que Cameron é mais interessante do que pensa. Talvez ele tenha algo a dizer, e talvez suas palavras mudem tudo: as vitórias, os amores, as derrotas, a família Wolfe e até ele mesmo.



O livro conta a história de Cameron, mais um "lonely boy" (garoto solitário) que desejava apenas ser amado. Principalmente por uma garota. E esse seu desejo de amar acabou sendo eclipsado na única garota tecnicamente proibida: a namorada de seu irmão RubeOctavia era a perfeição para Cameron; bonita, educada, talentosa e não fingia que ele não existia. Sempre taxado pelos outros de perdedor, Cam fica fascinado quando Octavia o trata diferente, e percebe que ao lado dela ele pode ser quem é sem medo de ser rejeitado.

Apesar de Cameron ter finalmente achado A garota, ele sabia que era problema na certa se apaixonar pela namorada do irmão, e que isso poderia causar um grande estrago no relacionamento instável dos dois.

"Um trem passou a toda, e eu tive a sensação de ouvir a cidade inteira nele.Veio na minha direção e depois deslizou para longe.As coisas sempre parecem deslizar para longe.Chegam até a gente, ficam por um momento e tornam a partir."

Mesmo que Rube estivesse com uma namorada a cada semana, Cameron sabia que ele tinha sentimentos, mesmo que aparentasse não ligar para as namoradas.

Conforme o tempo passa tanto Cam quanto Octavia, que sabia que seu namoro com Rube teria data para acabar, descobrem mais um do outro e uma conexão diferente cresce entre eles. Mesmo Cameron sendo mais novo que Octavia, a idade não fazia diferença para eles, que se tornam grandes amigos. 

Quando juntos, ambos desfrutam de uma liberdade e aceitação que nunca encontraram antes. Mas como fica Rube nessa história? Além de Octavia, Cam tinha suas palavras; escrever era a única coisa que o fazia se sentir inteiro, mas não as compartilhava com ninguém pelo medo da rejeição. Será que ele finalmente conseguiria, através das palavras, externar quem ele realmente era para alguém?

"Foi bom para mim ir ao campo de Marouba naquele dia. Foi bom observar Steve e seus hábitos. Assim como as palavras que eu vinha escrevendo me faziam ver e sentir as coisas de outra maneira, também me aumentavam a curiosidade. Eu queria ver como as pessoas se moviam e falavam e as reações que provocavam." 

Eu me interessei imediatamente ao ver esse livro por motivos de: o autor. Afinal, quem não amou "A Menina Que Roubava Livros"? Já li "Eu sou o Mensageiro" e também gostei bastante. É característico do autor escrever livros independentes, estão se você não gosta de séries ou sagas, este é para você. Apesar do tema e do estilo de "A Garota que Eu Quero" ser bem diferente dos outros dois, eu fiquei impactada pela história. Cameron não tinha nada de estável em sua vida, e tudo que ele desejava era justamente a estabilidade que o amor aparenta dar, a certeza de um amor constante. 


Vejo o protagonista como o responsável por toda a carga emocional da obra; ele precisava se sentir amado por alguém. Seu relacionamento com os membros da família não era muito afetuoso, e eles se apresentam emocionalmente distantes e divididos. Na minha opinião, o autor tratou a questão familiar como um dos maiores dilemas de Cameron, justamente por dar a entender que ele não se sente amado ou como se sua presença fosse dispensável.


Octavia era uma menina que merecia ser amada e não ser apenas mais uma da lista de Rube. Como uma personagem discreta e misteriosa, ela me deixou intrigada querendo saber o que escondia. Já Rube, que aparenta ser o personagem despreocupado que se dá bem sempre, principalmente com as garotas, surpreende ao nos revelar que não era bem assim. Steve é o irmão mais velho de Cameron, e mesmo com o relacionamento difícil que tem com a família e a personalidade introspectiva, é o que está mais presente para Cameron.

Achei interessante o autor desmistificar a questão de que o amor não tem idade nem hora para acontecer; Cam vivia procurando um amor e achou no lugar mais improvável e proibido possível. Outro tema abordado foram os rótulos que a sociedade tenta impor a todos nós. Nem sempre você vai se encaixar nesses perfis criados e engessados, mas isso não faz de você um perdedor.

 Cameron se rotulava e agia assim, e isso acabava fazendo com que as pessoas o vissem dessa forma. Quando você muda sua forma de pensar e consequentemente de agir, as pessoas à sua volta obrigatoriamente te verão diferente. Ver ele se revelando e se aceitando foi bem legal e inspirante. 

A obra é relativamente pequena, mas muito encantadora e interessante. A todo momento fiquei curiosa e as dúvidas de Cameron se tornavam as minhas. É uma história apaixonante, sobre um casal que é bem diferente mas que juntos ficam a mistura perfeita, e sobre um jovem que precisava se aceitar e se amar do jeito que era. O livro retrata um pouco da loucura que é se apaixonar, e como isso acontece sem podermos controlar. Às vezes a magia está justamente aí, não é? Simplesmente acontece. 

isabela ottoni

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