[Resenha] Quando O Amor Bater À Sua Porta - Samanta Holtz

Nome: Quando O Amor Bater à Sua Porta
Autora: Samanta Holtz
Editora: Arqueiro | Gênero: Romance
Páginas: 301 |Classificação: 5/5
Preços: Amazon | Saraiva | Submarino



Malu Rocha é uma escritora de 29 anos independente, confiante e bem-sucedida. Mora sozinha em São José dos Pinhais, perto de Curitiba, onde mantém uma rotina regrada de pedalar todas as manhãs, escrever e, semanalmente, visitar o avô de 98 anos em uma casa de repouso.
Porém sua vida toda controlada sai do eixo quando um homem bate à sua porta e se apresenta como Luiz Otávio Veronezzi, dizendo ter perdido uma reunião marcada com ela. Malu não se lembra do compromisso e sua primeira reação é dispensá-lo. Mas o belo desconhecido insiste, explicando que sofreu um acidente de carro, ficou em coma e perdeu a memória, assim como seus documentos. As únicas coisas que restaram foram um pouco de dinheiro e um papel com o nome e o endereço de Malu, o nome dele e a data da reunião. Luiz confessa que a escritora era sua última esperança para descobrir a própria identidade.
O problema é que ela não tem a menor ideia de quem ele seja.
Desconfiada, mas sentindo-se responsável pelo acontecido, Malu decide ajudá-lo e embarca em uma jornada para descobrir quem ele é – o que acaba trazendo à tona muitos fatos sobre si mesma, seus medos e segredos mais bem guardados, além de um passado que preferia esquecer.
A bela narrativa e a trama que prende do começo ao fim nos convidam a acompanhar Malu e Luiz nessa busca que se transforma em uma história de amor de tirar o fôlego.



Eu relutei para escrever essa resenha, com medo de errar em algo e você, querido leitor, não dar uma chance a essa obra. Eu simplesmente achei extraordinária. Não esperava encontrar uma história tão bem construída, nada clichê, e inspiradora. Ao ler a sinopse, assumo, acreditei ser mais um romance água com açúcar. E talvez justamente por isso eu me emocionei tanto e me maravilhei tanto, porque não esperava o que encontrei.


Quando conhecemos Malu Rocha, a jovem escritora super famosa e bem sucedida, que escreve os melhores romances da atualidade (mas que não acredita que aquilo possa de fato acontecer na vida real), temos a errada impressão de que entendemos quem é Malu. E quando encontramos Luiz Otávio, também pensamos que temos uma leve ideia de quem ele seja; o mocinho que perdeu a memória e irá fazer o coração de gelo de Malu se derreter. 

Mas vai muito além disso. Se nos ativéssemos a essas impressões superficiais e simplórias, realmente este só seria mais um romance. Basta ler apenas dois capítulos para que a autora te mostre que julgar um personagem antes de realmente conhecê-lo é, além de grosseiro, extremamente inútil.

"Luiz balançou o rosto em um gesto minúsculo, com os olhos castanhos ainda fixados sobre ela.
   - É difícil entender por que uma mulher como você passa tanto tempo sozinha.
Malu sentiu as sobrancelhas arquearem. Estava totalmente despreparada para aquele comentário. Pensou no que responder, ou se deveria responder alguma coisa, enquanto tentava ler no rosto dele se aquilo era uma tentativa de cantada barata. A seriedade no olhar dele, entretanto, passava a mensagem contraditória.
   - Eu... Eu apenas... - Deu de ombros, atrapalhada. - Nunca encontrei alguém, acho.
Um riso breve levantou o canto direito dos lábios de Luiz, que balançou a cabeça como se aquilo fosse uma ideia inconcebível.
  - Mulheres como você não precisam encontrar alguém, Malu. Mulheres como você são encontradas."

Acompanhamos a jornada de Malu e Luiz em busca de quem eles verdadeiramente são. Malu precisa lidar com o final de seu novo livro, seu avô doente, Luiz Maravilhoso Otávio que desestabilizava seu bom senso e com o conflito interno que vive. Já Luiz tem que descobrir quem é, e lidar com essa descoberta.

 Como é incrível e perturbador pensar nisso; imagine se você um dia acordasse sem ideia de quem seja. Como se tudo fosse um grande vazio em sua memória. Como lidar com as novas descobertas que vão preenchendo esse lugar? E ao encontrar o que estava perdido; como conciliar o que era com o que é? Esse conflito me consumiu. Não consegui deixar de me colocar no lugar dele e de indagar o que eu faria, como reagiria. Foi impossível não me envolver com esse lado da história.

" - Li os textos que você escreve. E as colunas que guarda como tesouros. Palavras carregadas de emoção, de um amor mais forte do que eu acreditaria existir. Só o que consigo pensar é: quem é você, Maria? - ele perguntou, em voz baixa, e o coração dela acelerou quando ele se aproximou mais um passo. - Por que não me conta?
   Lágrimas apontaram nos olhos de Malu ao ouvir aquela pergunta. Ela sentiu um grito abafado ecoar dentro de si, vindo de uma parte dela que implorava pela chance de ser ouvida, agora que alguém se preocupava com ela. Contudo, precisava mantê-la escondida, sufocada, esquecida, até que o tempo se incumbisse de apagá-la, assim como fez com as memórias do homem à sua frente.
  - Não dá - ela se ouviu murmurando. - Não posso contar.
  - Então me mostre."

Outro aspecto interessante foi a questão de, como ressaltei no principio, termos a ilusão de que conhecemos os personagens. É uma premissa tão verdadeira e frequente na vida real. Os achismos do ser humano parecem ser sempre os mesmos; fazer suposições sobre quem o outro realmente é ou o que sente é quase que automático. Uma perda de tempo tudo isso, se não sabemos quem somos ou se não permitimos ao outro nos mostrar sua verdadeira essência. Estou parafraseando tudo porque não quero estragar a magia do enredo contando detalhadamente o que acontece. 

" (Luiz)
   Desse modo, não podia julgar a si mesmo, tampouco a ela, pelos universos paralelos que construíam e destruíam continuamente. Cada palavra não dita, cada beijo não dado, cada passo na direção contrária erguia todo um novo e invisível futuro diante dos seus olhos, novamente destruído no instante seguinte à medida que suas atitudes o afastavam e aproximavam em uma valsa sobre a linha do tempo. Mas como pensar no futuro que se desenhava no infinito se o presente de ambos parecia tão complexo? Onde residiria a eternidade, onde começava o para sempre? Talvez o infinito não pertencesse ao futuro, e sim ao presente.."


Sabe, eu acho que um dos sentimentos mais lindos que a gente pode desapertar em uma pessoa não é o amor, mas a esperança. Porque sem esperança a vida não faz sentido. Sem amor também não faz, mas a esperança é o que da vida a tudo. Talvez seja por isso que achei tão real e tocante a história de Maria e Luiz; porque um transmitiu esperança ao outro, e a autora fez o mesmo a mim. Eu dificilmente me apego tanto a uma história, de vir lágrimas aos olhos quando lembro uma parte especial. E a autora, como já tive a oportunidade de dizer a ela, tocou meu coração com uma obra tão simples mas verdadeira. Editora Arqueiro está de parabéns pois o livro todo está lindo; capa, revisão, enredo. Posso afirmar que este não foi só mais um livro para mim, e espero que não seja também para você.

Quote favorito:
"(Doutor Love - Resposta à pergunta "O que é o amor?")
  [...] Digo "coerente" porque não ouso dizer que haja uma resposta correta à sua dúvida. Ao me perguntar o que é amor, você levantou uma questão há séculos debatida por grandes poetas, pensadores e filósofos. E se eles, em sua magnitude, não chegaram a um consenso, penso: quem sou eu, um humilde psicólogo e colunista de jornal, para entrar nesse debate? Em todo caso, como não é do meu feitio deixar um leitor sem resposta, aqui estou para compartilhar meu singelo ponto de vista.
   [...] Algumas vezes o amor nos eleva às nuvens, outras vezes esfrega nossa cara na lama. Isso já aconteceu comigo e, imagino, com você também. Então, o que dizer desse sentimento tão contraditório, que ora enaltecemos, ora queremos distância?
   Creio que o amor seja como um pássaro: não nasceu para ser estático. Ele é livre, é fugaz, e nos escapa entre os dedos sempre que pensamos tê-lo dominado. Às vezes pousa em nosso ombro, às vezes foge de nós. Desse modo, se eu fosse definir em uma só palavra, diria que o amor é um momento. É a mãe amamentando o filho, uma mão estendida em ajuda ao próximo, o primeiro sorriso de um casal que acaba de se perceber apaixonado. É aí que o amor está. E, assim como os pássaros, não permanecerá para sempre no mesmo local ou da mesma forma. Cabe a nós aceitarmos o desafio de redescobri-lo em seus meios de se manifestar, pois um pouco de esforço também faz parte da provação aos verdadeiros merecedores de vivê-lo. Se for por isso que estiver passando, não perca a fé: mesmo quando parecer que ele partiu para sempre, mantenha os olhos no horizonte. Assim como os pássaros sempre retornam à sua terra após a migração, o amor não abandona aqueles que sinceramente o carregam no peito."

isabela ottoni

6 comentários:

  1. Querida Isabela,

    UAU!!! O que dizer depois de ler essa resenha tão caprichada em todos os sentidos? Com essas fotos lindas, esses elogios de arrancar sorrisos do meu rosto e um texto tão bem construído? :)

    Fico muito feliz em saber que a história superou todas as suas expectativas, que foi muito além de somente mais um livro! Fiquei muito feliz ao ler suas palavras!!

    Beijo enormeeeee no coração,
    Sam :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ai Sam <3 eu já te agradeci em todas as redes sociais possíveis, mas novamente: obrigada pelo livro, carinho e atenção! você é demais!! <3

      Excluir
  2. Nossa, Isa!
    Que resenha mais linda! Estou esse livro em casa e ansiosa para ler. Se você esse livro te trouxe todos esses pensamentos e sensações, acho que dificilmente eu não irei gostar.
    Sua resenha está linda, linda, linda!

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Olá Isa!
    Nossa adorei sua resenha, e me deu ainda mais vontade de ler o livro. Já coloquei ele na minha lista de leitura!
    Parabéns =)
    Beijos!

    http://www.booksimpressions.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito Obrigada Raissa! certeza que você vai amar!

      Excluir

Instagram