[Resenha] O Primeiro Dia Do Resto da Nossa Vida - Kate Eberlen

Nome: O Primeiro Dia Do Resto Da Nossa Vida
Autora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro  | Gênero: Romance
Classificação: 3/5  | Páginas: 428
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Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda.
E pode ser que nunca se encontrem... Tess sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controle da família e descobrir sozinho o que realmente quer ser. Por um dia, nas férias, os caminhos desses dois jovens de 18 anos se cruzam antes que os dois retornem para casa e vejam que a vida nem sempre acontece como o planejado.
Ao longo dos dezesseis anos seguintes, traçando rumos diferentes, cada um vai descobrir os prazeres da juventude, enfrentar problemas familiares e encarar as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo indica que é impossível que um dia eles se conheçam de verdade... ou será que não?
O Primeiro Dia Do Resto Da Nossa Vida narra duas trajetórias que se entrelaçam sem de fato se tocarem, fazendo o leitor se divertir, se emocionar e torcer o tempo todo por um encontro que pode nunca acontecer.


Vou começar dizendo que provavelmente explico melhor os meus motivos de não ter gostado na obra no vídeo. Mas se você me pedisse uma palavra para definir o que senti quando acabei esse livro, esta seria: decepção. Me empolguei com o título, a capa linda e a sinopse cativante, prometendo um romance gostoso apesar dos contratempos. Peço que mesmo lendo minha opinião vocês deem uma chance, porque meu gênero literário não bateu com o dessa obra.

Conhecemos Tess, uma jovem de 18 anos viajando com sua amiga Doll por vários países de trem. No finalzinho da viagem as duas se encontravam em Florença, e Tess decide aproveitar um momento sozinha e sai andando até encontrar uma igreja na beirada da estrada, a San Miniato al Monte. Quando ela chega lá, com mil pensamentos na cabeça e um pouco opressa pela oponente imagem de Jesus, mal repara que tinha alguém ali também.

" Tess
   Do terraço da igreja, a vista era tão deslumbrante que fiquei com uma vontade incontrolável de chorar enquanto prometia solenemente a mim mesma - como a gente costuma fazer aos 18 anos - que, um dia, eu voltaria ali."


Ela olhou para o garoto que aparentava ter a mesma idade que ela e algo em seu íntimo dizia que aquele momento tinha total capacidade para se tornar mais um clichê de olhares se encontrando, mas ambos ficaram tão focados na luz que emanava da abside que infelizmente nada aconteceu. O momento se perde mas para a surpresa de Tess, ela encontra o mesmo garoto duas vezes. Como ela não sabia se ele a reconhecia, não falou nada, e acabou voltando para casa sem conhecê-lo.

Gus ainda tentava processar como a morte do seu irmão havia afetado sua vida. Após um dos clientes de seu pai (que era dentista) ter se surpreendido por ele nunca ter visitado a Toscana, a família toda foi intimada a aceitar o destino das próximas férias.

" Gus
   Com o nível de esforço cardiovascular que fazia as ideias flutuarem em minha mente, ocorreu-me que eu poderia voltar a Florença um dia, até mesmo morar ali, se quisesse. Nessa cidade histórica, eu poderia ser alguém sem história, a pessoa que eu quisesse ser, não importava quem fosse. Aos 18 anos, esse pensamento foi uma revelação para mim."



Mesmo que tudo que desejasse dos pais era distância, Gus estava decidido a aproveitar de verdade aquela viagem. Enquanto corria pelas belas paisagens, ele pensava em como deveria ter ao menos falado algo com a menina da igreja, que acabou se tornando a menina da foto e do sorvete. Mas o momento havia passado e ele permanecera inerte.

Ambos retornam dessas férias prometendo a mesma coisa: que um dia voltariam ali. 

"Gus
Eu tinha voltado na esperança de encontrar a garota ali de novo. Não que eu soubesse o que dizer a ela - assim como nas duas primeiras ocasiões. Ao entregar a câmera de volta a ela, eu não tinha sequer tido coragem suficiente para fazer contato visual, então desperdicei também a terceira chance."

Ao chegarem novamente em casa, tudo muda. Acompanhamos separadamente como a vida de Tess e Gus continuou pelos 16 anos seguintes à essa viagem e como cada acontecimento afetou o destino de ambos. Apesar do encontro fugaz que tiveram nessas férias de 97, a lembrança permanecia viva em 2013. Como que duas linhas paralelas, os dois vivem momentos difíceis mas sem ainda cumprir a promessa de reviver Toscana. 

Os dois personagens são interessantes, e alguns dos secundários também. A autora soube construir uma narrativa completa de dois pontos de vista diferentes. Acho que o que me decepcionou nessa obra é que eu o tempo inteiro esperei que eles se encontrassem novamente, ou que pelo menos tivessem um momento para se conhecerem de verdade. 

"Gus
 Será que ela está pensando o mesmo que eu? Que tem algo rolando entre nós que é maior que aqui, agora, hoje? "

Quando eles finalmente se encontram, foi tão rápido que eu não pude aproveitar. Os dois tem esse encontro na igreja, na sorveteria e na praça, mas depois disso nunca mais se relacionam diretamente. Tudo ficou meio manipulado mas dando ar de "desencontros da vida". Tipo, como se a todo momento em que eles se aproximavam de um verdadeiro encontro ela puxasse as cordinhas e os separasse novamente. 

"Tess
  Em um minuto, estávamos conversando como se nos conhecêssemos a vida toda; no outro, calados como se tivéssemos acabado de nos conhecer. Ambas as situações eram verdadeiras, suponho. Ao retraçarmos nossa rota, senti a presença física dele ao meu lado com intensidade, nossas mãos quase se tocando, mas sem se tocar."

Tess e Gus fizeram suas escolhas na vida, mas no fundo não me pareceu bem isso. A autora fez dos nossos personagens dois mártires, exemplo de que devemos aproveitar cada encontro, cada esbarrada, cada olhar. Concordo que devemos sim viver cada dia intensamente, e ir dormir sem arrependimentos. E essa reflexão do livro é linda, mas o resto deixou a desejar. 

" Tess
  No estacionamento, enquanto ficamos parados olhando para o Duomo iluminado, agora distante em frente ao céu escuro, tremo subitamente com uma espécie de premonição de que tenho que capturar cada detalhe preciso na minha mente porque nunca mais terei a chance de ver essa imagem de novo.
- Não quero ir embora!"

Fiquei triste por tudo que Tess e Gus viveram e que não mereciam. Por tudo que foi atirado na cara deles e que os obrigou a engolir calados. Me revoltei por eles, e desejei que o final feliz deles fosse acalentador. Mas não foi; foi rápido e simples, como se a autora já estivesse no limite de páginas e precisasse acabar a história rápido. Se esse é o estilo de obra que você gosta, com muito drama e desencontros, leia. O meu não é assim, então não gostei.

isabela ottoni

5 comentários:

  1. Olá Isa, tudo bem?

    Confesso que adoro esse gênero, que consegue ser bem realista e mostra que as primeiras oportunidades devem ser aproveitadas ao máximo. Já vivi uma situação parecida com a dos personagens, deixei passar algo que talvez fosse o meu "para sempre"...
    Vou adicionar na minha listinha :)

    Beijos,

    Gnoma Leitora

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  2. Amei a resenha e os trechos que você escolheu serviu pra ampliar minha vontade de ler! Esse livro já está na minha lista, só falta mesmo o dinheiro pra comprar kkk
    Um beijo <3
    https://leiturize-se.blogspot.com.br/

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  3. Nossa, tinha tudo pra ser ótimo. Mas acho que é assim né Isa, quando estamos super empolgadas para ler algo, vem a lei do "smurf" e a gente acaba se decepcionando. Adorei a resenha e amei sua sinceridade!!! Be

    https://bibliotecadeopinioes.wordpress.com/ijão.

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  4. Amei a resenha, e confesso que as vezes vou na onda dos outros sobre um livro kkk. Mas é questâo de opinião, né? No mais, eu quero muito ler esse livríneo 😁

    Agrtdalivraria.blogspot.com.br

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  5. Oiii Isa!

    Primeiro foi a capa que chamou minha atenção, depois o título e por último a sinopse rsrs depois de ler sua resenha fiquei com dúvida se leio ou não.
    Amei sua resenha e seu vídeo no instagram, pretendo comprar o livro no BF e se eu conseguir comprar, depois de ler falo o que achei.
    Beijos - Refúgio da Ju

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